A taxa de mortalidade de menores de 5
anos no país caiu 77% entre 1990 e 2012 graças a uma combinação de estratégias:
a criação de um Sistema Único de Saúde com foco na atenção primária de saúde,
melhoria no atendimento materno e ao recém-nascido e esforços para prestar
assistência à saúde no nível comunitário, melhoria das condições sanitárias,
aumento do conhecimento das mães, promoção do aleitamento materno, expansão da
imunização e criação de iniciativas de proteção social como o programa de
transferência de renda Bolsa Família.
Um dos mecanismos de defesa do
organismo contra agentes infecciosos
é a imunização, que consiste na aquisição de proteção imunitária,
de modo a conferir ao corpo uma resistência a infecções. A vacina é
um exemplo de imunização ativa em que substâncias ou microrganismos infecciosos
são introduzidos no organismo para estimular a reação do sistema imunitário quando em contato com
tal agente causador de doenças.
A história da vacina se inicia no ano
de 1796 quando o naturalista e médico britânico Edward Jenner elaborou a
primeira vacina contra o vírus da varíola.
Jenner percebeu nas tetas das vacas algumas lesões idênticas às dos humanos
portadores da varíola e notou, ainda, que as mulheres que
ordenhavam tais vacas eram acometidas pela varíola, porém desenvolviam uma
versão mais leve da doença. Com isso, o médico fez alguns experimentos e chegou
à conclusão de é possível preparar um individuo previamente contra o
acometimento de certos microrganismos: estava descoberta a vacina. A partir
daí, as pesquisas nessa área se tornaram constantes, muitas tecnologias foram aplicadas,
resultando em importantes avanços para a Medicina.
Uma vacina é produzida a partir de
substâncias infectantes (proteínas, toxinas), partes de vírus e
bactérias, ou ainda, de bactérias ou vírus completos atenuados ou mortos. Tais
partículas não são capazes de desenvolver a doença no organismo, uma vez que
são enfraquecidas, no entanto, induzem o sistema imune a produzir anticorpos, que são glicoproteínas específicas de defesa. Esse
processo recebe o nome de resposta imunitária primária.
Numa resposta imunitária primária, são
produzidas células de memória oriundas da diferenciação de linfócitos B
e T. Essas células perduram no organismo e detêm durante muitos anos ou pelo
resto da vida do indivíduo, a capacidade de identificar agentes infecciosos com
os quais o corpo já esteve em contato. Caso o organismo seja atacado pelo
microrganismo contra o qual foi imunizado, será desencadeada a resposta
imunitária secundária, que é instantânea e muito mais intensa que a primária,
dessa forma os agentes infecciosos serão destruídos imediatamente, antes mesmo
de surgirem os primeiros sintomas da doença.
Poliomielite é uma doença viral que
pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total. Apesar de também
ser chamada de paralisia infantil, a doença pode afetar tanto crianças quanto
adultos.
As vacinas da poliomielite são de dois
tipos a saber: vacina constituída de vírus inativados e vacina de vírus vivos
atenuados. A vacina produzida com vírus inativados contém três tipos de
poliovírus:
- · Tipo 1 (Mahoney)
- · Tipo 2 (MEF-1)
- · Tipo 3 (Saukett)
Estes são cultivados em células Vero
(células de rim de macaco verde africano) e a seguir concentrados, purificados
e inativados com formaldeído. Contém traços de neomicina, estreptomicina e
polimixina B, devendo ser conservada em geladeira entre +2 e +8ºC. A aplicação
é feita pela via intramuscular ou subcutânea na dose de 0,5 ml para cada
indivíduo. Crianças com até 2 anos de idade devem receber a vacina na região
glútea ou na região ântero-lateral superior da coxa. Acima desta idade a vacina
deve ser aplicada na região deltóide. A posologia é de 2 a 3 doses com
intervalo de um mês entre elas. Os reforços devem ser feitos um ano após as
primeiras doses e repetidos a cada 10 anos. Está indicada para todas as
crianças acima de 6 semanas de idade, adultos viajantes para áreas endêmicas e
especialmente para as crianças imunodeprimidas por doenças congênitas ou
adquiridas. As contra-indicações são as gerais das vacinas, e em especial aos
alérgicos à neomicina, estreptomicina e polimixina B.
A vacina inativada induz a produção de
anticorpos da classe IgG de maneira satisfatória, mas quase não dá origem a
formação de IgA secretora, ao contrário da vacina oral. Nesse caso não há
propagação do vírus vacinal na comunidade, não ocorrendo casos de pólio
paralítica por reversão do vírus vacinal selvagem. Encontra-se atualmente
disponível comercialmente em preparados associados à vacina tríplice bacteriana
(DTP), o que possibilita sua aplicação sem ônus operacional. Esta vacina também
é denominada tipo Salk em homenagem à Jonas Salk, seu desenvolvedor.
A vacina produzida com vírus vivos
atenuados, também denominada Sabin, em homenagem a Albert Sabin – seu
desenvolvedor -, é do tipo trivalente. É a vacina utilizada no Brasil,
produzida a partir de três cepas de vírus denominadas 1, 2 e 3. É constituída
de 106 unidades de vírus do tipo 1, 105 do tipo 2 e 600.000 do tipo
3, por dose. É de utilização oral e a vacinação básica consiste na aplicação de
três doses, a partir dos dois meses de idade, com intervalo de dois meses entre
as doses (2, 4 e 6 meses). O reforço é realizado com 15 meses de idade após a
vacinação básica. Devido aos riscos descritos de interferência na vacinação
oral, principalmente em países tropicais e subtropicais, alguns autores sugerem
a realização de um reforço anual até os sete anos, o que pode ser feito através
das campanhas nacionais de imunização. Não há contra-indicação na aplicação
concomitante da vacina antipólio com a vacina tríplice bacteriana, ou com a
vacina do sarampo.
A vacina não deve ser administrada a
crianças com vômitos, diarréia ou processos febris de origem indeterminada.
Pode ser aplicada a qualquer hora do dia, sem relação com alimentação. Em
raríssimas circunstâncias a administração desta vacina tem sido associada à
ocorrência de paralisia em vacinados sadios ou em seus contatos. A poliomielite
aguda associada à vacina oral é doença aguda febril, que causa um déficit motor
flácido de intensidade variável, geralmente assimétrico. O tempo decorrente
entre a aplicação e o evento é de 4 a 40 dias para o vacinado e de 4 a 85 dias
para o comunicante de vacinado.
As cepas virais mais implicadas neste
fenômeno são as do tipo 2 (causa paralisia nos comunicantes) e a do tipo 3 que
causa paralisia nos vacinados. O risco é de menos de um caso para um milhão de
vacinados. A conduta médica nestes casos é o tratamento de suporte, continuar o
esquema vacinal com a vacina inativada e notificar a autoridade sanitária. Os
exames subsidiários sugeridos são a coleta de duas amostras de fezes nos
primeiros 15 dias, com um intervalo de 24 horas entre as coletas. Além disso,
realizar a eletroneuromiografia para avaliar-se a extensão das lesões.
Em 1994 o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Erradicação da
Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem cujo último caso foi
registrado em 1989.
COTRAN,
R.S., KUMAR, V., ROBBINS, S.L. Robbins Patologia Estrutural e Funcional. 6ª.
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UNICEF
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acessado em 24/04/2015 às 16h10min.
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