quarta-feira, 13 de maio de 2015

Doce gestação

Olá, pessoal nesta nova postagem iremos falar um pouco da diabetes gestacional, mas antes disto vamos falar um pouco sobre carboidratos, principalmente a glicose que é de nosso interesse.

Carboidratos

Os carboidratos são as biomoléculas mais abundantes na face da terra. A cada ano, a fotossíntese converte mais de 100 bilhões de toneladas de gás carbônico e água em celulose e outros produtos vegetais. Certos carboidratos (açúcar comum e amido) são à base da dieta na maior parte do mundo e a oxidação dos carboidratos é a principal via metabólica fornecedora de energia para a maioria das células não-fotossintetizantes.

A Glicose é um dos carboidratos mais simples (monossacarídeo), possui em sua formula molecular seis carbonos, seis oxigênios e doze hidrogênios. A função caracterizante da glicose é o aldeído, entretanto como a glicose dissolvida no sangue se apresenta em ciclos a função presente substituinte do aldeído é o hemiacetal.



A aquisição da glicose na alimentação é feita pela ingestão principalmente de amido e sacarose. O amido é um polissacarídeo presente em alimentos como a batata-inglesa e a sacarose é um dissacarídeo formado pela união da glicose com a frutose, e está presente nas frutas e no açúcar de cozinha.

Diabetes gestacional.

Durante a gravidez ocorrem alterações na produção hormonal materna para permitir o desenvolvimento do bebê. A placenta é uma fonte importante de hormônios que reduzem a ação da insulina, responsável pela captação e utilização da glicose pelo corpo.  O pâncreas materno, consequentemente, aumenta a produção de insulina para compensar este quadro de resistência á sua ação. Em algumas mulheres, entretanto, este processo não ocorre e elas desenvolvem quadro de diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento do nível de glicose no sangue. Quando o bebê é exposto a grandes quantidades de glicose ainda no ambiente intrauterino, há maior risco de crescimento fetal excessivo e, consequentemente, partos traumáticos, hipoglicemia neonatal e até de obesidade e diabetes na vida adulta.



O diabetes gestacional pode ocorrer com qual mulher, entretanto há fatores de risco: Idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, Síndrome dos ovários policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau , história de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão arterial sistêmica na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

Não é comum a presença de sintomas. Por isso, recomenda-se que todas as gestantes pesquisem, a partir da 24ª semana (início do 6º mês) de gravidez, como está a glicose em jejum e, mais importante ainda, a glicemia após estímulo da  ingestão de glicose, o chamado teste oral de tolerância a glicose. O diagnóstico é feito caso a glicose no sangue venha com valores iguais ou maiores a 92 mg/dl no jejum ou 180 mg/dl e 153 mg/dl respectivamente 1 hora e 2 horas após a ingestão do açúcar.



O controle do diabetes gestacional é feito na maioria das vezes através de uma orientação nutricional adequada. A gestante necessita ajustar para cada período da gravidez as quantidades dos nutrientes. A prática de atividade física é uma medida de grande eficácia para redução dos níveis glicêmicos. A atividade deve ser feita somente depois de avaliada se existe alguma contraindicação, como por exemplo, risco de trabalho de parto prematuro. Aquelas gestantes que não chegam a um controle adequado com dieta e atividade física tem indicação de associar uso de insulinoterapia. O uso da insulina é seguro durante a gestação.



ZAJDENVERG, Lenita. DIABETES GESTACIONAL. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/diabetes-gestacional>. Acesso em: 13 maio 2015.

LEHNINGER, A.L.; NELSON, D.L.; COX, M.M. Princípios de Bioquímica. 3. ed. São Paulo: Sarvier, 2002. 225p.

8 comentários:

  1. Ótima abordagem! É interessante também lembrar que no primeiro trimestre predominam os efeitos da utilização da glicose materna pelo feto, levando a uma tendência de hipoglicemia e diminuição das necessidades da insulina. A principal alteração é a resistência insulínica que se manifesta pela redução aproximada de 50% na sensibilidade à insulina no terceiro trimestre.
    A resistência insulínica da gestação serve para levar nutrientes preferencialmente para o feto em desenvolvimento, permitindo simultaneamente o acúmulo de tecido adiposo materno. Em razão da resistência à insulina, a gestação é caracterizada pelo nível elevado de insulina circulante, uma vez que o pâncreas, em mulheres não-diabéticas, compensa a demanda periférica aumentada, mantendo as glicemias em níveis normais.
    Até a próxima, galera!

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  2. Postagem super interessante! Bom discutirmos mais sobre a diabetes gestacional, até por que ela só é diagnosticada no final do 2º trimestre da gravidez. Se surgir antes desse período é sinal de que a mulher já tinha diabetes antes de engravidar e não sabia. Enquanto a mãe corre o risco de ter pré-eclâmpsia (hipertensão na gestação), ganhar peso excessivo e abortar precocemente, a criança pode nascer muito grande, com cerca de 4 kg, apresentar insuficiência pulmonar, estar sujeita a maior icterícia, ou sofrer traumatismos, como fraturar algum ombro ao nascer. Uma vez diagnosticado, o diabetes gestacional persiste até o fim da gravidez. Depois que o bebê nasce, é esperado o fim da produção de hormônios pela placenta e, consequentemente, do diabetes gestacional. Interessante também é o fato de o pâncreas do filho de uma mãe que teve diabetes gestacional produz mais insulina do que que o habitual. Assim que ele sai do ambiente uterino, para de ser alimentado com esse grande volume de glicose e pode apresentar um quadro de hipoglicemia! Se isso acontecer, o bebê é medicado para que o açúcar no seu sangue entre em equilíbrio. E ele possui mais riscos de ter diabetes do tipo 2, portanto, atenção com aqueles bebês que nascem rosados, gordinhos e com mais de 4 quilos... Espero ter adicionado mais conhecimento acerca do assunto :D
    até a próxima!

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  3. É importante salientar que somente um teste não determina o diagnóstico de diabetes gestacional (DG). Caso o valor da primeira glicemia de jejum esteja acima de 85 mg/dL, há suspeita de DG. para confirmação, o teste oral de tolerânica à glicose é recomendado. Entretanto, se for verificada na primeira glicemina de jejum valor de 110 mg/dL ou maior, uma nova glicemia acima dessa concentração também confirma o diagnóstico. Como esse teste é mais simples e mais barato, pacientes com elevada glicemia podem receber o tratamento adequado mais cedo.

    As crianças têm cada vez mais exposição aos novos hábitos alimentares que levam ao aumento do peso e à maior chance de desenvolvimento do diabetes. A DG aumenta ainda mais esses riscos. Além de reduzir os riscos de pré-eclâmpsia e aborto, o diagnóstico e tratamento dessa doença melhora a qualidade de vida futura do bebê!

    FONTE: GROSS et al. Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação
    e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab vol 46 nº 1 Fevereiro 2002. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n1/a04v46n1.pdf.

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  4. Grupo H
    O diabetes gestacional é preocupante, mas em geral facilmente controlável. Uma preocupação recorrente é sobre o desenvolvimento de diabetes tipo 2 após o parto. O desenvolvimento de diabetes tipo 2 após o parto frequentemente é prevenido com a manutenção de uma alimentação balanceada e com a prática regular de atividades físicas. Para o diagnóstico, 6 semanas após o parto a mulher que teve DG deve realizar um novo teste oral de tolerância a glicose, sem estar em uso de medicamentos antidiabéticos. O aleitamento materno se mostra um importante aliado da mulher também nesse aspecto, podendo reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes permanente após o parto.

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  5. Oi gente! E bastante pertinente a discussão desse assunto por nós, especialmente nesse momento de nosso curso, coincide bastante com o que temos visto em aula! Estamos sempre buscando aprender mais.

    Quanto à diabetes, sabemos dos efeitos da insulina, certo? Porém, nos falta falar do seu mecanismo de ação e via de sinalização sob o olhar bioquímico, que visa explicar as coisas em nível molecular, além do que conseguimos enxergar a olho nu, hehehe.

    Esse hormônio é secretado pelas células b das ilhotas pancreáticas em resposta ao aumento dos níveis circulantes de glicose e aminoácidos após as refeições. A insulina regula a homeostase de glicose em vários níveis, reduzindo a produção hepática de glicose (via diminuição da gliconeogênese e glicogenólise) e aumentando a captação periférica de glicose, principalmente nos tecidos muscular e adiposo. A insulina também estimula a lipogênese no fígado e nos adipócitos e da reduz a lipólise, bem como aumenta a síntese e inibe a degradação protéica.

    Tudo isso começa com a sinalização intracelular da insulina, que começa com a sua ligação a um receptor específico de membrana, uma proteína heterotetramérica com atividade quinase, composta por duas subunidades a e duas subunidades b, que atua como uma enzima alostérica na qual a subunidade a inibe a atividade tirosina quinase da subunidade b. A ligação da insulina à subunidade a permite que a subunidade b adquira atividade quinase levando a alteração conformacional e autofosforilação, que aumenta ainda mais a atividade quinase do receptor.

    Depois disso acontecem muitas outras coisas, daria um outro post! hehehe

    Abraços!

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  6. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302002000400013

    http://www.scielo.br/img/fbpe/abem/v46n4/12797f1.gif

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  7. GRUPO L

    Bem legal a postagem! Vale ressaltar que qualquer mulher pode desenvolver diabetes gestacional, mas algumas mulheres estão em maior risco. Fatores de risco para o diabetes gestacional são: idade superior a 25 anos, histórico familiar de diabetes, diabetes gestacional anterior, bebês de gestações anteriores que nasceram com mais de 4 kg, gestações anteriores com bebê natimorto inexplicável, tolerância à glicose diminuída ou glicemia de jejum alterada (níveis de açúcar no sangue altos, mas não o suficiente para ser diabetes), aumento do líquido amniótico (uma condição chamada de polidrâmnio, excesso de peso antes da gravidez, ganho excessivo de peso na gravidez e raças negra, hispânica, indígena ou asiática.

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  8. Grupo D
    Ótima postagem,uma vez que é muito importante para as gestantes ter conhecimento de sua situação quanto à possível diabetes, já que a placenta é uma fonte importante de hormônios que reduz a ação da insulina. Quando o bebê é exposto a grandes quantidades de glicose ainda no ambiente intra-uterino, há maior risco de crescimento fetal excessivo (macrossomia fetal) e, conseqüentemente, partos traumáticos, como já citado anteriormente, no entanto pode apresentar também hipoglicemia neonatal e até de obesidade e diabetes na vida adulta, por isso a importância da divulgação de tais dados.

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