sexta-feira, 1 de maio de 2015

Diarreia não é brincadeira de criança!

Segundo a OMS, a diarréia é a segunda maior causa de mortalidade infantil, perdendo apenas para a pneumonia.Mas o que é diarréia? Ela é transmissível? Como ela afeta uma pessoa? Como tratá-la? São algumas perguntas que pretendemos responder ao longo dessa postagem, esperamos que gostem!




A diarréia atinge todas as idades e suas principais características são o aumento no número de evacuações ao longo do dia e a perda na consistência das fezes. Sua principal complicação, que pode levar a morte , é a desidratação. Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água e qualquer mudança brusca nessa quantidade pode acarretar em graves quadros como queda de pressão arterial, perda de consciência, convulções, comam falência de órgãos e morte. Adultos são mais resistentes, porém ela é uma doença grave em crianças e idosos pois eles desidratam mais facilmente. Em um adulto, quando esta se desidratando de alguma forma, "sensores de água", que estão em várias partes do organismo, verificam a adequação do nível de água no corpo. Quando ele cai, aciona-se automaticamente um “alarme”. Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias. Por isso, o corpo “pede” água. A informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em busca de líquidos.  Idosos e crianças não possuem um bom regulamento interno da sede, tornando-os mais suscetíveis a desidratação.

Existem dois tipos básicos de diarréia: a aguda e a crônica. A causa da diarreia aguda é geralmente relacionada a infecção bacteriana, viral ou parasítica. Diarréia crônica é geralmente relacionada a desordens como síndrome do intestino irritável ou doença inflamatória intestinal. Outras causas para a diarreia é a intolerância a alimentos, doenças intesttinais e alguns medicamentos (como antibióticos). Em países em desenvolvimento, a principal causa de diarreia é a contaminação de alimentos e bebidas por algum vírus ou bactéria. Então a diarreia é transmissível sim! Através de coliformes fecais que contaminam alimentos e bebidas.

Cerca de um a dois terços dos casos de diarreia são causados pelo Rotavírus.




O rotavírus é um vírus RNA pertencente à família reoviridae. Existem sete grupos desses vírus, denominados A, B, C, D, E, F e G. O tipo A é o mais comum, sendo responsável por mais de 90% das infecções em seres humanos. Este vírus causa a rotavirose, uma doença diarreica aguda. Ele é perigoso porque ataca as mucosas do intestino, impedindo a absorção do líquido. Se a doença não for tratada, a desidratação acaba provocando uma perda drástica de nutrientes, o que pode ser fatal. Já existe uma vacina contra o Rotavírus. Ela tem algumas recomendações, listadas abaixo:
Sua aplicação é via oral, em duas doses. A vacina é indicada para prevenção de gastroenterites graves por esse tipo de vírus, mas não protege contra diarreia causada por outros agentes. Possui algumas reações normais como irritabilidade e perda de apetite. Em alguns casos mais raros pode causar diarreia, vômitos, dor abdominal e regurgitação. Todas as crianças devem tomar a vacina. A primeira dose deve ser aplicada entre a sexta e a décima quarta semana de vida da criança. A segunda dose deve ser administrada entre a décima quarta e a vigésima quarta semana de vida da criança. Importante ressaltar que a vacina não deve ser aplicada, de forma alguma, fora desses prazos. Ela é proibida para crianças com histórico de doença gastrointestinal crônica, inclusive má-formação congênita do trato gastrointestinal. Também não pode ser aplicada em crianças com imunodeficiências primárias e secundárias.
No seu tratamento, em muitos casos de diarreia, a única medida necessária é a reposição de líquidos e eletrólitos de forma a prevenir a desidratação. Remédios podem ajudar a interromper a diarreia em adultos. Porém, pessoas com diarreia sanguinolenta, um sinal de infecção bacteriana ou parasitária, não devem usar esses remédios. Medicamentos usados para tratamento de diarreia em adultos podem ser perigosos para crianças e devem ser administrados somente sob orientação médica. Antibióticos podem ser receitados se a causa da diarreia for bacteriana.

A sua prevenção é essencial para crianças abaixo dos seis meses de idade o leite materno é o principal modo de evitar o contágio dessa doença. Lavar bem os alimentos, ferver e filtrar a água também se fazem essenciais. Manter a higiene pessoal e dos utensílios sempre em boas condições e lavar as mãos com água e sabão antes e após o preparo de alimentos, da amamentação, da troca de fraldas de crianças e na utilização do banheiro são as medidas mais indicados para a prevenção contra a diarreia.

Referências

PORTO, Celmo Celeno. Sistema Digestivo, parte 9. Pg 603-774. Semiologia médica, 7º ed., 2014. Ed. Guanabara Koogan.
ASSIS, Andressa.A epidemiologia das rotaviroses antes e após a introdução da vacina. J. Pediatr. (Rio J.) vol.89 no.5 Porto Alegre Sept./Oct. 2013.
COSTA, Paulo. Infecções e reinfecções por Rotavírus A: genotipagem e implicações vacinais. J. Pediatr. ( Rio J.) vol.80 no.2 Porto Alegre Mar./Apr. 2004.
TARGA, Cristina. Criança com diarreia: o que causa e o que comer. Sociedade Brasileira de Pediatria. (S. Paulo). Fev. 2015.

9 comentários:

  1. GRUPO L
    Muito importante falar sobre a diarreia, já que esta é a segunda maior causa de mortalidade infantil. A diarreia está diretamente relacionada a outro problema mundial que é a desnutrição infantil, grande responsável pela grande morbidade e mortalidade em menores de cinco anos no mundo todo. A desnutrição afeta todos os sistemas e órgãos, no trato gastrointestinal, há uma tendência à diminuição do tamanho do enterócito, do seu núcleo e da borda em escova, à medida que aumenta o grau de desnutrição. A cinética da regeneração do epitélio intestinal também é alterada e há lentificação na proliferação, migração e maturação das células. A consequência é a redução das enzimas dissacaridases, especialmente a lactase. Além disso, a desnutrição tem efeitos adversos no mecanismo imunológico específico e inespecífico, aumentando a susceptibilidade às infecções (diarreia e pneumonia).
    Com sistema imunológico deprimido, o Rotavírus que é um dos mais importantes agentes etiológicos da doença diarreica na criança consegue facilmente se instalar. Quanto à fisiopatologia, o rotavírus age penetrando nos enterócitos, os quais se rompem e são substituídos por células absortivas imaturas. Essas se caracterizam por apresentar números reduzidos de microvilosidades, embora conservem sua propriedade secretória. Observa-se também redução da Na/K ATPase, responsável pelo processo de absorção intestinal do Na acoplado à glicose, havendo redução da absorção deste assim como da água. Os níveis de AMP cíclico se mantêm inalterados, daí excluir-se o mecanismo secretório no contexto fisiopatológico das diarreias por rotavírus. Há também redução da atividade inerente ás dissacaridases, principalmente da lactase, comprometendo o desdobramento dos dissacarídeos e sua absorção, promovendo um aumento da osmolaridade do lúmen intestinal, e consequentemente, aumento do afluxo de líquido. O açúcar não absorvido pode sofrer ação de bactérias que colonizam as porções mais distais do intestino, resultando na eliminação de fezes com pH ácido, resultando na diarréia de natureza osmótica. Como ficou bem explicado no post é preciso tomar cuidado com a desidratação, visto que ela pode levar a morte, e tratar corretamente a diarreia.
    Parabéns pela postagem! Espero que vocês discutam também sobre a desnutrição infantil =)
    REFERÊNCIA
    CAUAS, Renata Cavalcanti. Diarréia por rotavírus em crianças desnutridas hospitalizadas no Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, IMIP. Revista brasileira de Saúde Materno Infantil, Recife , v. 6, supl. 1, p. 77- 83, Maio de 2006 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151938292006000500011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 03 de maio de 2015.

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  2. Olá pessoal!

    Na publicação de nossos colegas, nós vimos especialmente as manifestações do rotavírus, e eu trago aqui algumas contribuições pra complementar as discussões. As diarreias podem ser classificadas conforme a etiologia e a patogênese. A etiologia diz respeiro aos agentes causadores, que pdoem ser virais (Rotavirus, Adenovirus, Astrovirus, Calicivirus, Adenovirus entérico sorotipos 40 e 41, Picornavirus), bacterianos (E. coli, principalmente enteropatogênica clássica (EPEC), Salmonella sp, Shiguella), e protozoários (Giardia lambia, Entamoeba histolytica, Criptosporidium; Cyclospora). Já a patogênese, pode ser :
    * osmótica, por adesão à mucosa, causando lesão dos enterócitos superficiais, com redução da produção das dissacaridases (lactase) e retenção de líquidos dentro do lúmen intestinal devido à presença de solutos (açúcares) osmoticamente ativos não absorvidos, que carreiam a água para dentro da alça intestinal e são metabolizados pela via anaeróbica resultando na produção de
    radicais ácidos (por ex: Rotavírus).
    * secretora, por liberação de enterotoxina que bloqueia o transporte ativo de água e eletrólitos do enterócito ocasionando o aumento da sua secreção intestinal, principalmente de ânions cloreto e bicarbonato (por ex: E.coli enterotoxigênica).
    * invasora: a lesão da célula epitelial do intestino impede a absorção de nutrientes, e pode haver também um componente secretor, uma vez que a mucosa invadida produz substancias (bradicinina e histamina) que estimulam a secreção de eletrólitos para o lúmen intestinal. Pode ocorrer invasão da mucosa causando diarreia com muco, pus e sangue nas fezes (por ex. Salmonella, Shiguella) ou invasão da lâmina própria com disseminação hematogênica e sintomas sistêmicos (por ex: E.coli enteroinvasora, Salmonella).

    O interessante é que as manifestações diversas desses microrganismos dependem de suas secreções, que apresentam composições químicas/ bioquimicas, e às vezes uma molécula simples de uma enterotoxina, diferente de uma outra enterotoxina, é capaz de mudar completamente os seus efeitos, e precisamos estar atentos a isso durante a nossa prática clínica.

    Abraços!!

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  3. Ótimo post...
    Estava aqui pesquisando um pouco sobre o seu tema e descobri que a diarreia e pneumonia matam 5 mil crianças, com menos de 5 anos de idade, por dia no mundo!!! Por isso a importância de se discutir tal assunto, pois a diarreia é considera pela UNICEF uma doença que tem prevalência nas regiões pobres e que poderia ser evitada se fossem adotadas medidas simples como aquelas apontadas em seu post...Além disso, descobri que a ONU lançou um plano de metas para acabar com as mortes infantis ocasionadas por diarreias até 2035. Isso demonstra a importância de tal assunto para a saúde, principalmente, das crianças.

    Para saber mais leiam:
    http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-09-13/pneumonia-e-diarreia-matam-5-mil-criancas-por-dia-no-mundo
    http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/onu-quer-acabar-mortalidade-infantil-diarreia-pneumonia-2035-738428.shtml

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    1. A diarreia leva a perda de importantes eletrólitos, e ocasiona a desidratação. Pela perda de HCO3-, também ocasiona a acidose metabólica. Todos esses quadros podem ser letais, principalmente em crianças.

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  4. Olá pessoal. O meu blog é sobre o parto humanizado e achei interessante correlacionar os dois assuntos. Sabe-se que crianças desnutridas, desmamadas precocemente e que tenham tido episódios recentes de diarreia ou qualquer outra morbidade que comprometa o estado nutricional, apresentam risco maior para diarreia persistente. Ao uso do leite materno se atribui impacto significativo na redução dos percentuais de morbidade e mortalidade por diarreia. Esta relação pode ser explicada pelas propriedades antimicrobianas e imunológicas inerentes a sua composição, devendo também ser considerada a sua capacidade de garantir o adequado estado nutricional do lactente, assim como a isenção de contaminação quando o seu uso é exclusivo. O desmame precoce e a introdução inadequada dos alimentos de transição tanto no que se refere a oferta calórica, quanto do preparo dos alimentos, favorecem a instalação de déficits nutricionais e a exposição aos enteropatógenos potenciais. Estudos prospectivos mostram associação da desnutrição com a duração do episódio diarreico. O risco aumentado para curso persistente da diarreia pode estar relacionado a vários fatores, pois a desnutrição, por si mesma, como já falaram alguns colegas, causa alterações importantes nas defesas do hospedeiro, como a redução da acidez gástrica, da motilidade intestinal, da síntese de anticorpos e da imunidade celular.

    LINS, Maria Das Graças Moura; MOTTA, Maria Eugênia Farias Almeida; SILVA, Giselia Alves Pontes da. Fatores de risco para diárreia persistente em lactentes. Arq. gastroenterol, v. 40, n. 4, p. 239-246, 2003.

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  5. Grupo H
    Diarreia em bebês sempre preocupam os pais, mas nem sempre são casos graves. O consenso é de que a criança deve ser levada ao médico caso:
    - A diarréia é grave e dura mais de 2 ou 3 dias.
    - A diarréia contém sangue ou mucosidade.
    - A diarréia se repete ou a criança está perdendo peso.
    - A criança tem sinais de desidratação (chame imediatamente).
    - A diarréia está acompanhada por múltiplos episódios de vômitos, febre ou cólicas abdominais.
    - A diarréia se apresenta na semana depois de uma viagem ou saída ao campo (a diarréia pode ser causada por bactérias ou parasitos e pode requerer tratamento).
    Mas vai falar isso pra mãe de primeira viagem né!?
    Ótimo tema!

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  6. Olá! Muito bom abordar essa patologia que muitas vezes é tida como um simples sintoma passageiro que pode ser ignorado, como se não pudesse causar morte.
    Aqui vão alguns conselhos para as mães caso o filho adquira diarreia aguda por infecção por Rotavírus (ou por qualquer outro motivo): oferecer imediatamente soro caseiro ou sais hidratantes e água tratada, para prevenir a desidratação, não suspender alimentação e procurar imediatamente o serviço médico para o tratamento adequado.
    No caso do Rotavírus, é importantíssimo considerar vacinação, porque afinal, é melhor prevenir do que remediar! Até porque existem sete sorotipos diferentes de Rotavírus, mas somente três deles infectam o homem e causam gastrenterite aguda. Essa variedade de sorotipos explica por que a pessoa pode ser infectada mais de uma vez, embora seja possível desenvolver certo grau de proteção cruzada que torna mais leve a infecção por um tipo diferente de Rotavírus.

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  7. Olá pessoal!! Post muito interessante por tratar de um assunto que muitas vezes é banalizado mas que para uma criança pode trazer sérias consequências. Com relação à vacina do rotavírus buscamos um pouco de sua história até o momento atual e sua como vem sendo utilizada. As vacinas de primeira geração contra rotavírus, desenvolvidas no início da década de 1980, foram de origem animal, no caso bovina e símia (a partir de macacos). Essas vacinas não ofereciam proteção contra os sorotipos epidemiologicamente mais importantes. As vacinas de segunda geração iniciaram sua natureza antigênica polivalente, na tentativa de ampliar a proteção. A primeira foi licenciada nos Estados Unidos, em 1998. Era uma vacina oral, atenuada, tetravalente, com rearranjo símio e humano, aplicada no esquema de três doses aos dois, quatro e seis meses de idade. A sua utilização foi suspensa em julho de 1999. Em 2000 teve início um estudo com uma outra vacina oral atenuada, na Finlândia, de origem humana, com elevada imunogenicidade, eficácia e segurança. A vacina pentavalente veio logo depois, uma vacina oral atenuada pentavalente, com rearranjo humano-bovino, também com elevada proteção para as formas graves de diarréia. Dentre outras vacinas contra rotavírus em estudo no mundo destacam-se a vacina utilizada na China, desde 2000, utiliza-se uma vacina monovalente de origem de cepa de carneiro.

    Referências:
    Vacina contra rotavírus. Divisão de Imunização e Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

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